segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Deixa Ela Entrar (Suécia - 2008)

Sinopse: Oskar tem 12 anos e é um garoto ansioso e frágil, constantemente provocado pelos colegas de classe. Com a chegada de Eli, uma garota séria e pálida da mesma idade, que se muda para a vizinhança com o pai, Oskar ganha uma amiga. Quando a cidade começa a ser assombrada por uma série de assassinatos e desaparecimentos inexplicáveis, o menino, fascinado por histórias horripilantes, não demora a perceber que a amiga é vampira. Os dois acabam se apaixonando e a vampira lhe dá a coragem para lutar contra seus agressores.

Elenco: Kåre Hedebrant (Oskar), Lina Leandersson (Eli)

Direção: Tomas Alfredson

Roteiro: John Ajvide Lindqvist

Há algum tempo atrás li, em um site de cinema, que esse Deixa Ela Entrar estava fazendo certo sucesso na Europa e que era um terror extremamente eficiente e tocante. Eu não tinha entendido direito qual seria a associação dessas duas palavras, já que, pra mim, um filme de terror seria qualquer coisa, menos tocante. Foi então que, muito tempo depois, tive a oportunidade de assistir a esse filme sueco.

Sabemos do sofrimento de Oskar, o menino protagonista, na primeira cena do filme, onde ele “treina” um possível ataque aos seus agressores (ele sofre de bullying), mas também percebemos a sua fragilidade através do seu corpo franzino e a falta de coragem de realizar tais ataques, mesmo em um ambiente seguro como o seu quarto. Acho que por isso não estranhamos o rápido interesse dele na menina que acabara de se mudar para o apartamento ao lado, uma pessoa tão estranha quanto ele naquele mundo injusto. À princípio, a aproximação dos dois não teria nada demais. O problema todo é que Eli não é uma menina comum e, sim, um vampiro.

Um ponto positivo do filme é nunca confirmar isso. Apesar de vermos Eli se alimentando de sangue e atacando algumas vítimas, em momento algum sabemos o que realmente ela é. Inclusive, em certo momento do filme, o garoto Oskar pergunta a ela “O que você é?” e ela responde “Sou igual a você.”, o que remete ao fato da própria garota desconhecer a sua origem. O pai da garota parece desconhecer tal fato também e a alimenta apenas para seguir com seus deveres de pai, sem questionar em momento algum os seus atos. Aliás, a relação de pai e filha é maior do que o simples cuidar, já que, em outro momento do filme, o pai prefere “dar um jeito” a ameaçar a segurança da filha. O sentimento de pai, por horas, chega a se confundir, demonstrando o desequilíbrio desse homem quando, aparentando ciúmes, ele pede a Eli: “Não quero mais que você veja esse garoto.”.

Algumas outras “invencionices” são extremamente interessantes, como o impedimento da garota entrar sem ser convidada, as várias formas mais “velhas” em que a garota é mostrada (demonstrando a incerteza de sua real idade) e o final poético e extremamente violento. Aliás, é no final do filme que sabemos a real relação da garota com o pai e como o garoto é importante pra ela.

Contando com uma direção de arte e fotografia magníficas, Deixa Ela Entrar surpreende por ser um filme tocante, sensível e estranho. Um horror com sentimento. Algo impossível de se ver em Hollywood.

2 comentários:

  1. Eu AMEI esse filme... pena que Hollywood agora vai CAGAR com a versão original... aff.

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  2. SENSACIONAL esse filme. Estou olhando com muito mais carinho pros filmes suecos =P

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