quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Zona Verde (Green Zone - EUA 2010)

Sinopse: Adaptação do livro "Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq`s Green Zone", sobre as conseqüências da ocupação americana no Iraque.

Elenco: Brendan Gleeson, Antoni Corone, Matt Damon, Jason Isaacs, Greg Kinnear, Amy Ryan

Direção: Paul Greengrass

Roteiro: Brian Helgeland

A invasão do Iraque e a derrota de Saddam Hussein são assuntos delicados, mas venerados pelo povo americano como uma grande vitória. Todo mundo sabe que não foi bem assim, já que a justificativa para tal invasão nunca fora encontrada. Ficaram por meses (se não me engano anos) procurando por armas que não existiam, que não foram construídas ou compradas, uma desculpa esfarrapada. Acredito que os americanos tinham um motivo maior, um motivo não externado e que nada tem a ver com o petróleo Iraquiano. Eles simplesmente queriam mostrar ao mundo sua superioridade militar com uma clara mensagem: “não se metam com a gente, porque senão invadimos seu país e destruiremos vocês.”. Como eu disse, esse é um assunto delicado, já que criticar ou expor o real motivo dessa “justificativa” feriria o orgulho americano. Acho que por isso contrataram um inglês para comandar essa produção.

Paul Greengrass conseguiu tocar na ferida americana contando a história da captura do General Al Rawi, o famoso valete de paus do baralho criado pelo exército americano para representar os figurões de Saddam (aliás, uma caracterização extremamente infeliz do exército, o que torna a “missão de paz” no Iraque ainda mais estapafúrdia). Seguimos então o tenente Roy Miller, interpretado por um ótimo Matt Damon, que está cansado de pistas erradas e procura um porque naquilo tudo. Quando um Iraquiano lhe dá uma pista quente, Miller começa a entender as maracutaias do governo americano e as mentiras por trás daquele circo. Contar mais seria estragar a história.

Matt Damon continua surpreendendo com papéis densos e escolhas certeiras em sua carreira (diferente de seu amigo Ben Afleck). O seu Roy Miller (personagem fictício) é extremamente convincente. Conseguimos ver em suas expressões faciais a dor de se ver num circo armado pra nada, com um propósito furado e idiota. Como deve ser difícil para um soldado, que ama sua pátria e a defende com todas as forças que possui, que acredita plenamente nos seus governantes, ver que tudo não passava de um interesse tolo e que nada tinha a ver com a instauração da democracia naquele país. Damon consegue transmitir tudo isso, nos entregando uma interpretação forte e marcante. Agora quem me surpreendeu foi um ator desconhecido. Seu nome: Khalid Abdalla. Você consegue ver nos olhos de Freddy, seu personagem, o descontentamento e a tristeza de um cidadão que, como Miller, ama seu país e sofre ao vê-lo destruído. Suas dúvidas são externadas a cada decisão tomada, por muitas vezes precipitada. Ele se torna similar à Miller, um complemento em lados opostos da situação. Um ótimo ator a ser descoberto.

Com ótimas cenas de ação, o filme é tenso e a sensação de urgência é total. A câmera inquieta de Greengrass, já característica em outros projetos, nos permite sentir que o tempo é curto. A fotografia e os efeitos que recriaram uma Bagdá destruída são estupendos. Tecnicamente o filme é maravilhoso, mas nada disso seria possível sem a mão firme de Greengrass na direção e a coragem desse homem em expor ao povo americano suas fraquezas (isso ele já conseguiu em United 93, outro filme maravilhoso). Ele mostrou a farsa em tela grande para o mundo todo. Acho que por isso o filme não fez sucesso nos EUA. Afinal, é difícil pra um povo tão prepotente reconhecer e aprender com os erros, o que me remete a uma frase tocante, deferida por Freddy a Miller no final do filme, e que fecha com chave de ouro a história: “Não é você quem vai decidir o que acontece aqui.”. Com certeza, algo difícil para um americano engolir, não é mesmo?



Obs.1: O filme e o personagem de Damon nada tem a ver com a trilogia Bourne.
Obs.2: O termo Green Zone ou Zona Verde significa o nome da área ocupada pelos americanos.
Obs.3: O contraste social entre essa Green Zone e o resto do país é gritante e revoltante.

domingo, 12 de setembro de 2010

Eclipse (EUA - 2010)

Sinopse: Na continuação de "Lua Nova", Bella Swan precisa enfrentar as consequências de ser amiga do lobisomem Jacob Black e namorada do vampiro Edward Cullen. Ao mesmo tempo, a moça se vê aterrorizada por uma misteriosa onda de assassinatos em Seattle e o fato de estar sendo perseguida por uma maligna vampira. Baseado no terceiro livro da série iniciada em "Crepúsculo".

Elenco: Taylor Lautner (Jacob Black), Bryce Dallas Howard (Victoria), Peter Facinelli (Dr. Carlisle Cullen), Jack Huston (King Royce II), Catalina Sandino Moreno (Maria), Kellan Lutz (Emmett Cullen), Ashley Greene (Alice Cullen), Jackson Rathbone (Jasper Hale), Elizabeth Reaser (Esme Cullen), Robert Pattinson (Edward Cullen), Jodelle Ferland, Nikki Reed (Rosalie Hale), Kristen Stewart (Bella Swan), Kirsten Prout (Lucy), Chaske Spencer (Sam), Xavier Samuel (Riley), Billy Burke (Charlie Swan)

Direção: David Slade

Roteiro: Melissa Rosenberg

Ontem tive mais uma dose da Saga Crepúsculo. Depois do horroroso Crepúsculo e do muito mais que terrível Lua Nova, chegamos ao terceiro capítulo: Eclipse. O filme já começa mal pelo simples fato do título ser uma referência ao nada, já que em momento algum se fala desse evento astronômico, direta ou subjetivamente. Stephenie Meyer, a autora, devia estar sem imaginação e, rapidamente, sacou um dicionário e abriu-o na letra E. Passou o dedo e, por um acaso, esbarrou na palavra Eclipse. Pronto! Achou o nome do livro!

Apesar de não ter gostado dos dois primeiros filmes, posso dizer que, comparativamente, este é uma obra-prima (eu disse comparativamente!!). Digo isso pelo simples fato de esse capítulo possuir uma história. Tudo bem, é uma história fraca, mas pelo menos conseguimos ver alguma motivação nos personagens, que antes eram extremamente patéticos.

A história começa com o surgimento de uma série de assassinatos em uma cidade próxima (esqueci o nome da cidade). O exército, na verdade, foi criado por Victoria (agora Bryce Dallas), para que os Cullen fossem destruídos, dando espaço para ela matar Bella. Daí pra frente é a mesma coisa: Edward e Jacob brigam por Bella em ataques de periquitas e bocas franzidas (eu ainda tento entender porque Pattinson faz aquele bico quando está nervoso).

O elenco está sofrível, como nos outros exemplares. Pattinson (Edward) continua uma Vera Verão disfarçada, só que agora fazendo mais bico do que nunca. Lautner (Jacob) continua tentando franzir a testa quando fica nervoso, mas é tanta maquiagem que se ele forçar mais um pouco aparece uma rachadura no rosto dele. Stewart (Bella) daqui a pouco fica sem lábio de tanto que ela morde a boca (acho que não dão comida pra ela no set de filmagem). O resto... bom, se o elenco principal já é ruim, não preciso comentar o resto (e não vou nem comentar dos diálogos vergonhosos).

Vamos ao que interessa: a parte que eu gostei do filme (sim, eu gostei de uma parte!!). A luta final entre o exército de vampiros, os lobos e os vampiros bonzinhos é legal e a coreografia é interessante e bem realizada. O fato dos vampiros não terem sangue foi uma boa sacada dos produtores para manterem a faixa etária, mas mesmo assim, são bem violentas, o que é um ponto positivo num filme tão insosso. Agora, nunca imaginei que Pattinson fosse fazer o que fez na luta contra Victoria, o que mostrou coragem do diretor em mostrar um pouco de maldade no coração gelado do rapaz. Bem legal!

Eu sinceramente ainda não consegui entender a mitologia “criada” por Meyer. Seus vampiros não possuem alma, mas podem amar, chorar, sentir raiva... seria possível ter sentimentos sem ter alma? Eu sinceramente estou tentando entender até agora. Espero que no próximo capítulo (que será dividido em dois filmes) as coisas melhorem. Afinal, se não melhorarem, será a “saga” mais lucrativa e imbecil que o cinema americano já realizou em todos os tempos. E ainda tem gente que chora vendo Edward dizendo a Bella que a ama... é pra queimar no mármore do inferno!

domingo, 5 de setembro de 2010

Os Mercenários (The Expendables - 2010)

Sinopse: Um grupo de mercenários tem a missão de provocar a queda de um ditador da América do Sul.

Elenco: Sylvester Stallone, Mickey Rourke, Jason Statham, Arnold Schwarzenegger, Jet Li, Dolph Lundgren, Steve Austin, David Zayas, Randy Couture, Eric Roberts, Bruce Willis, Giselle Itiè

Direção: Sylvester Stallone

Roteiro: Sylvester Stallone

Podem jogar uma pedra, mas gosto muito dos filmes da “retomada” de Stallone, principalmente Rocky Balboa. Pra quem não viu, trata-se de um filmaço que traça a dor e a solidão de um homem que vive das glórias de seu passado, já que seu presente é decepcionante e seu futuro incerto (praticamente uma biografia do próprio Stallone na época). Já Rambo IV, apesar de irregular, garante uma hora e meia de diversão escrachada e sanguinolenta, onde vemos corpos sendo despedaçados e sangue jorrando aos litros.

Esse The Expendables, que estreou no Brasil no último dia 14, está mais para Rambo IV do que para Rocky Balboa, o que não é ruim. Temos, de novo, um pouco mais de uma hora e meia de diversão. Mas o que difere esta produção da produção anterior? Ah! O elenco, claro.

Stallone conseguiu o improvável: reunir todos os atores de ação famosos dos anos 80, 90 e 2000 num único filme! São eles: o próprio Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Randy Couture, Steve Austin, Terry Crew, Mickey Rourke e (pasmem!) Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger (os dois últimos em uma ponta inspiradíssima onde os três se encontram). Só faltou o Steven Seagal e o Jean-Claude Van Damme, que recusaram participar do filme (dizem que o Van Damme não aceitou por não querer perder uma luta para o Jet Li). Só esse encontro de astros já vale todo o filme.

Sobre a história, não há muita coisa para falar. É uma história batida, onde o grupo de mercenários tem que invadir uma ilha para salvar uma garota (a brasileira Giselle Itiè) e libertar o povo de um tirano. Me lembrou muito Comando para Matar com o Arnoldão, só que aqui não é somente um fortão detonando todo mundo, são vários. Apesar do fraco enredo e diálogos sofríveis, posso dizer que Stallone preparou algumas passagens bem inspiradas, principalmente o encontro citado no parágrafo acima e as mortes no decorrer da projeção que são, no mínimo, chocantes e brutais (principalmente quando Statham resolve usar suas facas). Com curta duração, o que é um ponto positivo, o filme demonstra o quanto deve ter sido divertido gravar as cenas (muitas delas passadas no Brasil), o que prova o entrosamento do grupo.

O encontro dos sonhos de qualquer adolescente dos anos 90 aconteceu um pouco tarde. Os heróis de antes estão velhos, enrugados e lentos. Os novos tentam batalhar por um lugar ao sol. Os filmes de ação de antes não são os mesmos de hoje. O público já não é mais o mesmo. Mas quem se importa? Acho que por isso que gostei muito do filme. Esse clima saudosista é reconfortante, principalmente para os fãs que já passaram dos trinta e já não conseguem correr, saltar ou mesmo brigar como antigamente. Agora se o Stallone consegue fazer isso tudo aos 64 anos, eu também consigo! :-P


Obs.1: Giselle Itiè se deu melhor com o espanhol do que com o inglês.
Obs.2: adorei o papel do Dolph Lundgren. Realmente foi escrito pra ele.
Obs.3: se o Van Damme e o Steven Seagal estivessem no filme, dava nota máxima!
Obs.4: Stalonne já disse que no segundo ele quer Willis como um vilão barra pesada!
Obs.5: minha mulher dormiu o filme todo! :-)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Especial – Filmes para se emocionar!

O post de hoje será um pouco diferente. Preparei uma lista de filmes que considero essenciais para quem gosta de se emocionar assistindo filmes. Lembrando que não teria como comentá-los sem descrever alguns Spoilers (pra quem não sabe, spoilers são partes do filme que podem "tirar a graça" de quem ainda não assistiu), então, caso não tenha visto o filme e não queira estragar uma eventual surpresa, não leia! Outra coisa importante é que não colocarei uma ordem, apenas citarei os filmes e descreverei o que eu considero interessante, além da parte emocionante, claro. Sendo assim, posso começar:

1) UP – Altas Aventuras (UP - 2009)

Sim, uma animação. Posso dizer que é um dos filmes mais belos e tocantes que já vi até hoje. Quem não se importaria com a solidão de um velho? Esquecendo um pouco a idade do protagonista, quem não se emocionaria com uma pessoa que nunca realizou determinado sonho? A Pixar mais uma vez nos entrega um filme extremamente tocante e divertido. O garoto Russel e o cão Doug são um achado.

Parte pra chorar até morrer: os dez primeiros minutos do filme, onde testemunhamos boa parte da vida de Carl. Quem não chorar, não tem coração!


2) À Espera de um Milagre (The Green Mile - 1999) SPOILER!!

Baseado numa história de Stephen King, o filme é sublime e emocionante. Frank Darabont, talvez o único a ter a competência de transformar as obras de King em filmes magníficos, fez dessa uma película emocionante, calcada na ótima interpretação do elenco, principalmente Michael Clark Duncan e Tom Hanks. Sam Rockwell também dá um show como o desequilibrado Wild Bill. Agora é Michael Clark Duncan quem dá um show e eleva o seu personagem a um patamar inesperado para um ator dantes mediano.

Parte de chorar até morrer: temos várias, mas acredito que a parte mais emocionante do filme é a cura da personagem de Patricia Clarkson (Melinda) e a sessão de cinema de Jonh Coffey.


3) As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County - 1995)
SPOILER!!

Clint Eastwood, até então um bronco mais que assumido, surpreendeu a todos com a história da dona de casa que se apaixona por um forasteiro. Tocante sem ser piegas, ele criou uma fábula delicada e emocionante, onde vemos, aos poucos, a construção de uma paixão arrebatadora.

Parte de chorar até morrer: o derradeiro final, onde vemos Merryl Streep dentro do carro olhando impotente para Clint Eastwood indo embora. É de cortar o coração.



4) AI – Inteligência Artificial (Artificial Intelligence: AI - 2001)
SPOILER!!

Ok, ok, já sei até o que passa pelas suas cabeças: “como assim? uma ficção científica emocionante??”. Sim, uma ficção cientifica emocionante. Steven Spielberg conseguiu captar bem o que Stanley Kubrick pretendia e nos entregou um filme visualmente maravilhoso e extremamente tocante. A história do menino robô que queria ser gente rende algumas boas cenas para deixar a lágrima rolar solta. Haley Joel Osment, até então um garoto prodígio, nos entrega uma interpretação digna de um Oscar.

Parte de chorar até morrer: quando a mãe de David o abandona na floresta e o final, onde os ET’s (???) proporcionam um último encontro de David com sua mãe.


5) Amor Além da Vida (What Dreams May Come - 1998)

Este é um filme pouco conhecido no Brasil e que deveria ser olhado com mais carinho. A história de um homem amargurado pela morte dos filhos e tendo que lidar com as “inconsistências” da mulher é um achado. Robin Williams se entrega no papel do homem que vai, literalmente, ao inferno atrás de sua alma gêmea. Os efeitos especiais, revolucionários na época, dão o toque especial na composição do que seria o céu para Chris Nielsen, personagem de Williams. Concorreu a 4 Oscars técnicos e ganhou 2.

Parte de chorar até morrer: o encontro com os filhos no céu são de matar qualquer um, sem trocadilhos.


6) Forrest Gump - O Contador de Histórias (Forrest Gump - 1994)
SPOILER!!

Robert Zemeckis realizou uma obra até hoje vangloriada por quem gosta de cinema. Quem não se lembra da história do menino com dificuldade de aprendizado e problemas nas pernas? “Run Forrest!” foi um dos bordões mais falados nos anos 90. Tecnicamente perfeito e com um elenco de primeira linha, faz desta película uma obra-prima do cinema moderno.

Parte de chorar até morrer: o discurso de Forrest sobre o túmulo de Jenny. Sem comentários.


7) Marley e Eu (Marley & Me - 2008)
SPOILER!!

Apesar de ser um filme irregular, Marley e Eu emociona. Quem é apegado a um bichinho de estimação então, vai se debulhar em lágrimas com a história de uma família que possui o cachorro mais bagunceiro do universo. O grande acerto do filme é não focar no cachorro em si, mas sim na família, nas dificuldades que eles passam ao longo do tempo e como o cachorro traz certo equilíbrio àquele grupo. Lindo, fofo e emocionante, este filme é um prato cheio pra quem quer se emocionar.

Parte de chorar até morrer: a morte de Marley e o discurso final de Owen Wilson. Eu saí do cinema soluçando!


8) A História de Nós Dois (The Story of Us - 1999)

Este é um filme pequeno estrelado por Michelle Pfeiffer e Bruce Willis e que gosto muito. A história apresenta um casal com dificuldades e à beira da separação, mas que dá a volta por cima no final. Gosto de filmes assim, onde as pessoas superam as dificuldades e as diferenças e tentam achar um meio termo para conviverem harmoniosamente. Talvez o mais polêmico dos oito aqui presentes, já que conheço muita gente que torceu o nariz para esse filme (dizem que o final não é condizente com a realidade). Mas por que os filmes tem que representar a realidade, não é mesmo? A trilha do Eric Clapton completa o filme que merece ser descoberto.

Parte de chorar até morrer: a discussão final, onde Michelle Pfeiffer, aos prantos, explica para Bruce Willis o que ela realmente quer. Inesquecível.


Bom, é isso pessoal. Eu sei que existem vários outros, mas esses foram alguns dos que assisti recentemente, então ficava mais fácil de lembrar. Se vocês quiserem indicar mais algum, basta colocar nos comentários que podemos discutir, ok?

Abraços e bons filmes!