Sinopse: Adaptação do livro "Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq`s Green Zone", sobre as conseqüências da ocupação americana no Iraque.Elenco: Brendan Gleeson, Antoni Corone, Matt Damon, Jason Isaacs, Greg Kinnear, Amy Ryan
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Brian Helgeland
A invasão do Iraque e a derrota de Saddam Hussein são assuntos delicados, mas venerados pelo povo americano como uma grande vitória. Todo mundo sabe que não foi bem assim, já que a justificativa para tal invasão nunca fora encontrada. Ficaram por meses (se não me engano anos) procurando por armas que não existiam, que não foram construídas ou compradas, uma desculpa esfarrapada. Acredito que os americanos tinham um motivo maior, um motivo não externado e que nada tem a ver com o petróleo Iraquiano. Eles simplesmente queriam mostrar ao mundo sua superioridade militar com uma clara mensagem: “não se metam com a gente, porque senão invadimos seu país e destruiremos vocês.”. Como eu disse, esse é um assunto delicado, já que criticar ou expor o real motivo dessa “justificativa” feriria o orgulho americano. Acho que por isso contrataram um inglês para comandar essa produção.
Paul Greengrass conseguiu tocar na ferida americana contando a história da captura do General Al Rawi, o famoso valete de paus do baralho criado pelo exército americano para representar os figurões de Saddam (aliás, uma caracterização extremamente infeliz do exército, o que torna a “missão de paz” no Iraque ainda mais estapafúrdia). Seguimos então o tenente Roy Miller, interpretado por um ótimo Matt Damon, que está cansado de pistas erradas e procura um porque naquilo tudo. Quando um Iraquiano lhe dá uma pista quente, Miller começa a entender as maracutaias do governo americano e as mentiras por trás daquele circo. Contar mais seria estragar a história.
Matt Damon continua surpreendendo com papéis densos e escolhas certeiras em sua carreira (diferente de seu amigo Ben Afleck). O seu Roy Miller (personagem fictício) é extremamente convincente. Conseguimos ver em suas expressões faciais a dor de se ver num circo armado pra nada, com um propósito furado e idiota. Como deve ser difícil para um soldado, que ama sua pátria e a defende com todas as forças que possui, que acredita plenamente nos seus governantes, ver que tudo não passava de um interesse tolo e que nada tinha a ver com a instauração da democracia naquele país. Damon consegue transmitir tudo isso, nos entregando uma interpretação forte e marcante. Agora quem me surpreendeu foi um ator desconhecido. Seu nome: Khalid Abdalla. Você consegue ver nos olhos de Freddy, seu personagem, o descontentamento e a tristeza de um cidadão que, como Miller, ama seu país e sofre ao vê-lo destruído. Suas dúvidas são externadas a cada decisão tomada, por muitas vezes precipitada. Ele se torna similar à Miller, um complemento em lados opostos da situação. Um ótimo ator a ser descoberto.
Com ótimas cenas de ação, o filme é tenso e a sensação de urgência é total. A câmera inquieta de Greengrass, já característica em outros projetos, nos permite sentir que o tempo é curto. A fotografia e os efeitos que recriaram uma Bagdá destruída são estupendos. Tecnicamente o filme é maravilhoso, mas nada disso seria possível sem a mão firme de Greengrass na direção e a coragem desse homem em expor ao povo americano suas fraquezas (isso ele já conseguiu em United 93, outro filme maravilhoso). Ele mostrou a farsa em tela grande para o mundo todo. Acho que por isso o filme não fez sucesso nos EUA. Afinal, é difícil pra um povo tão prepotente reconhecer e aprender com os erros, o que me remete a uma frase tocante, deferida por Freddy a Miller no final do filme, e que fecha com chave de ouro a história: “Não é você quem vai decidir o que acontece aqui.”. Com certeza, algo difícil para um americano engolir, não é mesmo?





Obs.1: O filme e o personagem de Damon nada tem a ver com a trilogia Bourne.
Obs.2: O termo Green Zone ou Zona Verde significa o nome da área ocupada pelos americanos.
Obs.3: O contraste social entre essa Green Zone e o resto do país é gritante e revoltante.
acabei de assistir. Muito bom mesmo. Nas cenas cortadas tem uma q eu acho q deveria ter entrado, mas nem vou dizer qual, senao meu comentario vai ser apagado.. Rsrsrsrrsrsr
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